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Juros compostos

Crescimento acumulado, montante e comparação com juros simples.

7 min de leitura

Publicado em 26/08/2026

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Estruturas crescem em parcelas cada vez maiores acompanhando uma curva ascendente

Nos juros compostos, o resultado de um período se torna a base de cálculo do período seguinte. Os juros incorporados ao capital passam também a render ou gerar novos juros — o processo conhecido como capitalização composta.

Ideia central: cada período multiplica o montante anterior pelo mesmo fator. Por isso, o crescimento é exponencial, e não linear.

Como funciona a capitalização

Considere um capital de R$ 1.000 à taxa de 10% por período. No primeiro período:

M1=1.0001,10=1.100.M_1=1.000\cdot1{,}10=1.100.

No segundo, a taxa incide sobre R$ 1.100, não sobre os R$ 1.000 iniciais:

M2=1.1001,10=1.210.M_2=1.100\cdot1{,}10=1.210.

No terceiro:

M3=1.2101,10=1.331.M_3=1.210\cdot1{,}10=1.331.

PeríodoBase do períodoJuros do períodoMontante
0R$ 1.000
1R$ 1.000R$ 100R$ 1.100
2R$ 1.100R$ 110R$ 1.210
3R$ 1.210R$ 121R$ 1.331

Os juros de cada período aumentam: R$ 100, R$ 110 e R$ 121. Isso ocorre porque a base também aumenta.

Do fator à fórmula

Uma taxa decimal ii corresponde ao fator de crescimento 1+i1+i. Se o capital inicial é CC:

M1=C(1+i).M_1=C(1+i).

Após dois períodos:

M2=C(1+i)(1+i)=C(1+i)2.M_2=C(1+i)(1+i)=C(1+i)^2.

Depois de tt períodos:

M=C(1+i)t.\boxed{M=C(1+i)^t}.

Cada período multiplica o montante anterior pelo fator um mais a taxa

As grandezas são:

SímboloSignificado
CCcapital ou valor inicial
MMmontante ou valor final
iitaxa por período, em forma decimal
ttnúmero de períodos de capitalização
JJjuros acumulados, dados por MCM-C

A lógica dos fatores foi introduzida em Acréscimos e descontos sucessivos.

Exemplo direto

Um capital de R$ 4.000 é aplicado a 2% ao mês durante 6 meses.

Converta a taxa:

i=2%=0,02.i=2\%=0{,}02.

Aplique a fórmula:

M=4.000(1+0,02)6.M=4.000(1+0{,}02)^6.

M=4.000(1,02)64.504,65.M=4.000(1{,}02)^6\approx4.504{,}65.

Os juros são a diferença entre montante e capital:

J=4.504,654.000=504,65.J=4.504{,}65-4.000=504{,}65.

Portanto, o montante é aproximadamente R$ 4.504,65 e os juros, R$ 504,65.

Taxa e tempo precisam corresponder

A taxa e o expoente devem usar o mesmo período. Taxa de 2% ao mês combina com tempo em meses; taxa de 8% ao ano combina com tempo em anos.

Não multiplique uma taxa composta mensal por 12 para obter automaticamente uma taxa anual equivalente. A conversão composta usa fatores e é desenvolvida em Taxas equivalentes.

Se o enunciado já fornece a taxa efetiva por período e o número de períodos, use diretamente

M=C(1+i)t.M=C(1+i)^t.

Quando apresenta uma taxa nominal anual e uma frequência de capitalização, o próprio problema deve indicar como obter a taxa periódica. Não confunda frequência de pagamento com frequência de capitalização.

Juros simples e compostos

Nos juros simples, a taxa incide sempre sobre o capital inicial. Nos compostos, incide sobre o montante anterior.

Gráfico compara crescimento linear dos juros simples com crescimento curvo dos juros compostos

Para R$ 1.000 a 10% por período:

PeríodoJuros simplesJuros compostos
0R$ 1.000R$ 1.000
1R$ 1.100R$ 1.100
2R$ 1.200R$ 1.210
3R$ 1.300R$ 1.331
4R$ 1.400R$ 1.464,10

No primeiro período os montantes coincidem. A partir do segundo, a capitalização sobre valores acumulados cria a diferença. Para revisar o modelo linear, consulte Juros simples.

Relação com progressão geométrica

A sequência dos montantes

C, C(1+i), C(1+i)2, C(1+i)3,C,\ C(1+i),\ C(1+i)^2,\ C(1+i)^3,\ldots

é uma progressão geométrica de razão

q=1+i.q=1+i.

Cada termo é obtido multiplicando o anterior pelo mesmo fator. Essa relação permite interpretar juros compostos como uma PG aplicada ao tempo. Veja Sequências, PA e PG.

Relação com função exponencial

Mantidos capital e taxa, o montante em função do tempo é

M(t)=C(1+i)t.M(t)=C(1+i)^t.

Para taxas positivas, 1+i>11+i>1, então o gráfico é crescente e curvo. Acréscimos iguais no tempo produzem multiplicações iguais no montante, e não adições iguais.

A página Função exponencial e logaritmos desenvolve as propriedades da função e as operações usadas para encontrar o tempo.

Encontrando o capital

Se o montante, a taxa e o prazo são conhecidos:

C=M(1+i)t.C=\frac{M}{(1+i)^t}.

Qual capital produz R$ 12.100 após 2 anos a 10% ao ano?

C=12.100(1,10)2=10.000.C=\frac{12.100}{(1{,}10)^2}=10.000.

O cálculo divide o valor final pelo fator acumulado. Ele não consiste em subtrair 20%, pois duas taxas de 10% compõem fator 1,211{,}21.

Encontrando a taxa

Partindo de

M=C(1+i)t,M=C(1+i)^t,

divida por CC e extraia a raiz de índice tt:

i=MCt1.i=\sqrt[t]{\frac{M}{C}}-1.

Um capital de R$ 5.000 torna-se R$ 6.655 em 3 períodos:

i=6.6555.00031.i=\sqrt[3]{\frac{6.655}{5.000}}-1.

i=1,33131=1,101=0,10.i=\sqrt[3]{1{,}331}-1=1{,}10-1=0{,}10.

A taxa é 10% por período.

Encontrando o tempo

Quando o tempo está no expoente, usamos logaritmos:

MC=(1+i)t,\frac{M}{C}=(1+i)^t,

t=log(M/C)log(1+i).t=\frac{\log(M/C)}{\log(1+i)}.

Em quanto tempo R$ 2.000 se transformam em R$ 2.662 à taxa de 10% por período?

t=log(2.662/2.000)log(1,10)=log(1,331)log(1,10)=3.t=\frac{\log(2.662/2.000)}{\log(1{,}10)}=\frac{\log(1{,}331)}{\log(1{,}10)}=3.

Logo, são necessários 3 períodos.

Montante e capital conduzem ao fator; raiz encontra a taxa e logaritmo encontra o tempo

Dobrar o capital

Para descobrir quando um capital dobra, faça M=2CM=2C:

2C=C(1+i)t.2C=C(1+i)^t.

Cancelando CC:

t=log2log(1+i).t=\frac{\log 2}{\log(1+i)}.

Observe que o tempo de duplicação, nesse modelo, depende da taxa, não do valor inicial. A chamada “regra de 72” pode fornecer uma estimativa em alguns intervalos de taxa, mas não substitui o cálculo exato quando a prova exige precisão.

Crescimento e redução compostos

A mesma estrutura modela depreciações ou reduções sucessivas. Para uma queda de taxa dd por período:

Vt=V0(1d)t.V_t=V_0(1-d)^t.

Um equipamento de R$ 20.000 perde 15% do valor a cada ano. Após 3 anos:

V3=20.000(0,85)3=12.282,50.V_3=20.000(0{,}85)^3=12.282{,}50.

O valor perdido não é simplesmente 315%=45%3\cdot15\%=45\% do inicial. Cada redução incide sobre o valor remanescente.

Arredondamento

Use o fator com todas as casas disponíveis e arredonde o resultado monetário somente no final, salvo orientação diferente do enunciado ou regra contratual.

Arredondar o montante a cada período pode acumular diferenças. Em tabelas didáticas, valores intermediários arredondados ajudam a leitura, mas o cálculo final deve preferir a expressão direta com maior precisão.

Situações reais exigem mais informações

O modelo M=C(1+i)tM=C(1+i)^t descreve um único capital submetido a taxa constante e sem novos fluxos. Depósitos periódicos, prestações, amortizações, tarifas, tributos e taxas variáveis exigem modelos adicionais.

O Banco Central destaca que os juros compostos atuam tanto no crescimento de aplicações quanto de dívidas. Portanto, uma comparação real deve considerar prazos, fluxos e o custo total informado — não apenas a taxa isolada.

Erros frequentes

  • Usar a taxa percentual sem convertê-la para decimal.
  • Calcular M=C(1+it)M=C(1+i\cdot t) em um problema composto.
  • Somar a mesma parcela de juros em todos os períodos.
  • Aplicar o expoente apenas à taxa: 1+it1+i^t.
  • Misturar taxa mensal e tempo anual.
  • Multiplicar uma taxa composta pelo número de períodos como se fosse simples.
  • Apresentar o montante quando a pergunta solicita apenas os juros.
  • Subtrair a soma das taxas para recuperar o capital original.
  • Arredondar fatores intermediários cedo demais.
  • Usar a fórmula de um capital único em problemas com aportes ou parcelas.

Roteiro de resolução

  1. Identifique capital, montante, taxa e número de períodos.
  2. Confirme que o regime é composto.
  3. Converta a taxa percentual para decimal.
  4. Compatibilize o período da taxa com o tempo.
  5. Use M=C(1+i)tM=C(1+i)^t.
  6. Se necessário, isole capital, taxa ou tempo.
  7. Calcule os juros por J=MCJ=M-C quando forem solicitados.
  8. Arredonde no momento indicado e confira a ordem de grandeza.

Síntese

  • Nos juros compostos, cada montante vira a base do período seguinte.
  • A taxa periódica ii corresponde ao fator 1+i1+i.
  • O montante é M=C(1+i)tM=C(1+i)^t e os juros são J=MCJ=M-C.
  • O crescimento é exponencial e os montantes formam uma PG.
  • Taxa e tempo precisam usar períodos compatíveis.
  • O capital é obtido dividindo pelo fator acumulado.
  • A taxa exige uma raiz; o tempo, logaritmos.
  • Reduções sucessivas usam o fator 1d1-d elevado ao número de períodos.
  • Fluxos periódicos e contratos reais podem exigir modelos mais completos.

Próximos passos

Continue em Taxas equivalentes, conteúdo dedicado à conversão correta entre períodos. Depois, Valor presente e valor futuro aprofunda a equivalência de capitais no tempo.

Referências

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